NR-1, Setembro Amarelo e IA: o novo desafio do RH é transformar escuta em ação
Com os riscos psicossociais no radar das empresas, RHs precisam transformar dados e escuta dos colaboradores em decisões mais rápidas e ações concretas
Setembro Amarelo coloca a saúde mental no centro das discussões, enquanto as empresas também enfrentam uma mudança importante na gestão de riscos no ambiente de trabalho. Desde maio de 2026, a NR-1 passou a contemplar expressamente os fatores de risco psicossocial no gerenciamento de riscos ocupacionais, ampliando a responsabilidade das organizações sobre temas como sobrecarga, assédio e condições que podem afetar a saúde mental dos trabalhadores.
O cenário ganha ainda mais relevância diante do aumento dos afastamentos relacionados a transtornos mentais e comportamentais. Em 2025, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a esses transtornos no Brasil, alta de 15,66% em relação ao ano anterior, segundo dados da Previdência Social divulgados pela Fundacentro.
Para o RH, o desafio não está apenas em ouvir os colaboradores, mas em conseguir interpretar essas informações e agir enquanto ainda há tempo para intervir. Pesquisas de clima, pesquisas de pulso e outros canais de escuta podem gerar um grande volume de respostas e comentários, tornando a análise manual mais demorada.
É nesse contexto que a Factorial, plataforma de IA para RH e DP, observa novas formas de uso da inteligência artificial na rotina das empresas. A tecnologia pode apoiar a análise de grandes volumes de informações, ajudando a identificar padrões, temas recorrentes e pontos de atenção e, assim, encurtar o caminho entre a escuta e a tomada de decisão.
“Hoje, o RH tem acesso a uma quantidade cada vez maior de informações sobre seus times. O desafio é conseguir transformar esses dados em insights que ajudem a tomar decisões e agir de forma mais rápida”, afirma Renan Conde, CEO Brasil da Factorial.
Mas como transformar escuta em ação? Para sair do diagnóstico e chegar à prática, algumas estratégias podem ajudar:
1. Não espere a pesquisa anual para descobrir o que está acontecendo
A pesquisa de clima não precisa ser um evento isolado. Pesquisas de clima e pulso, conversas de 1:1 e outros canais de escuta ajudam a acompanhar mudanças ao longo do tempo e identificar sinais enquanto ainda há tempo para agir. O objetivo não é perguntar mais, mas criar uma rotina de escuta que permita perceber mudanças na experiência do time.
2. Vá além do “está tudo bem?”
Perguntas genéricas podem esconder problemas importantes. Incluir temas como carga de trabalho, autonomia, relacionamento com a liderança, reconhecimento e equilíbrio ajuda a entender melhor o que está por trás da percepção dos colaboradores. Respostas abertas e comentários também podem revelar situações que uma nota ou média não mostra.
3. Olhe para os sinais que já existem nos dados
Nem todo sinal aparece em uma pesquisa. Absenteísmo, horas extras, rotatividade, desempenho e ausências também podem indicar mudanças na experiência do time. Quando esses dados são analisados em conjunto, o RH consegue identificar padrões e entender quais áreas ou equipes precisam de uma investigação mais próxima.
4. Use a IA para conectar os pontos
A IA pode ajudar a analisar grandes volumes de informação, reunindo pesquisas, comentários, indicadores e até conversas de 1:1. Transcrever reuniões e identificar insights ou temas recorrentes, por exemplo, facilita o registro e o acompanhamento do que está sendo discutido. Assim, o RH reduz o tempo entre perceber um sinal, entender o contexto e decidir onde agir.
5. Não termine quando o relatório fica pronto
Identificar um problema é só o começo. Depois de encontrar um sinal de alerta, é preciso investigar suas causas, envolver as lideranças e acompanhar novamente os indicadores para entender se a intervenção funcionou. Uma nova escuta ou análise dos dados ajuda a fechar esse ciclo e transformar informação em ação.
Diante desse cenário, transformar escuta em ação significa reduzir o intervalo entre perceber um sinal e fazer algo a respeito. Para o RH, combinar escuta contínua, análise de dados e tecnologia pode ser um caminho para tomar decisões mais rápidas e direcionadas.
Texto: Andreza Souza
Imagem: divulgação
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