RETROSPECTIVA 2025 — A VERDADE INCONVENIENTE SOBRE A CRISE DA MADEIRA BRASILEIRA
*Por Sol Andreassa, editora da Revista Madeira Total
Há números que falam, números que gritam — e números que imploram por ação governamental imediata. A queda de 55% nas exportações brasileiras de madeira para os Estados Unidos é daquelas estatísticas que não deixam margem para debate: trata-se de um colapso anunciado, mas ainda assim surpreendente na sua rapidez, profundidade e negligência política.
Desde a imposição da tarifa de 50% pelos EUA, entre agosto e outubro, o que se viu foi uma reação em cadeia típica de um setor que já operava no limite. Empresas paralisadas, parques fabris ociosos, estoques encalhados, e um mercado externo — antes sólido e confiável — simplesmente evaporou. E quando um setor some, não some sozinho: leva junto empregos, renda e estabilidade de municípios inteiros.

Mais de 4 mil demissões em poucas semanas. Milhares de trabalhadores em férias coletivas ou layoff. E uma projeção nada animadora para os próximos meses caso nada mude.
E o que fez o governo federal diante desse cenário? Anunciou um pacote paliativo — que é como oferecer compressa gelada para uma fratura exposta.
O setor não precisa de paliativos. O setor precisa de estratégia.
Em setembro, durante a audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná, ficou claro: a indústria da madeira está de joelhos — mas não está silenciada. A Abimci tem alertado, com insistência e precisão técnica, que sem negociação bilateral real com os Estados Unidos, todo o restante é “cosmético”.
E aqui vale um parêntese necessário, didático e incômodo: negociação bilateral não é discurso, não é evento, não é coletiva. É sentar — Brasil e EUA — frente a frente, com coragem e interesse mútuo, para reconstruir as regras de comércio.
Sem isso, qualquer medida doméstica servirá apenas para adiar o inevitável.
Um setor que representa US$ 1,6 bilhão em exportações não pode ser tratado como detalhe de pauta.
O Brasil está diante de um risco real: o desmonte progressivo da cadeia produtiva da madeira, que é muito mais do que um setor — é a base econômica de dezenas de cidades, especialmente no Sul do país. Cada fábrica que fecha não volta. Cada cliente internacional perdido é uma porta trancada por anos. Cada talento demitido fragiliza ainda mais o tecido produtivo.
É preciso dizer com todas as letras — e aqui falo como economista, analista e como alguém que acompanha essa indústria diariamente:
O setor madeireiro brasileiro está pagando sozinho por uma crise que exige posicionamento político firme, ativo e imediato.
O momento exige duas coisas:
- Um governo disposto a negociar de verdade, olho no olho, com os EUA.
- Empresas unidas, mobilizadas e vocalizando a urgência sem receio de desconfortos institucionais.
Porque a verdade é simples e dura: Sem negociação bilateral, não há futuro para metade da nossa madeira exportada. E sem essa metade, o setor não se sustenta.
A entidade reforça que é preciso urgência na negociação bilateral e ações efetivas para que sejam preservados o futuro de empresas e de empregos — e para que o Brasil não assista, de braços cruzados, ao encolhimento irreversível de uma das suas cadeias produtivas mais estratégicas.
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Sol Andreassa é jornalista, com formação em Economia, pós-graduada em Gestão de pessoas, e pós-graduanda em jornalismo, especialista na cadeia produtiva da madeira & móveis e no setor de hotelaria. É publisher de revistas e portais líderes desses mercados, atuando no desenvolvimento de conteúdos analíticos e institucionais para empresas, entidades setoriais e eventos nacionais e internacionais, com foco em indústria, florestas plantadas, design e hospitalidade, traduzindo movimentos de mercado em informação estratégica.
Foto: Madeira Total
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