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MANEJO FLORESTAL E PLANO SAFRA

Chico Moreira
Chico Moreira
Consultor e engenheiro florestal
19 de fevereiro de 2026
MANEJO FLORESTAL E PLANO SAFRA

A indústria de madeira mecanicamente processada — serrarias e laminadoras — depende fundamentalmente de florestas manejadas. Estamos falando, sobretudo, de florestas plantadas de pinus, teca e eucalipto. Diferentemente da indústria de celulose, esse segmento raramente possui ativos florestais próprios, tornando-se altamente dependente de fornecedores terceiros.

O investidor florestal, por sua vez, encontra dificuldades para realizar o manejo adequado de seus povoamentos. Em muitos casos, os preços pagos pela madeira proveniente dos desbastes não cobrem sequer os custos da operação. Como consequência, inúmeros plantios permanecem por 12 anos ou mais sem qualquer manejo, deixando de ofertar volumes relevantes à indústria e gerando prejuízos diretos ao produtor florestal.

Por volta de 2015, quando exerci a função de Diretor Executivo da Agência de Desenvolvimento da Cadeia da Madeira do Médio Rio Tibagi, apresentei à APRE (Associação Paranaense de Empresas Florestais) um estudo defendendo a criação de uma linha de crédito específica para a execução de desbastes em florestas plantadas, a ser operacionalizada por meio do Plano Safra.

A proposta foi encaminhada ao então Secretário de Agricultura do Paraná, José Ortigara, que prontamente a levou ao Ministério da Agricultura. No ano seguinte, tomei conhecimento de sua inclusão no Plano Safra. No entanto, nunca tive notícia de um único silvicultor que tenha, de fato, acessado esse financiamento.

Mais recentemente, segundo o Diretor Executivo da AGEFLOR, Jorge Heineck, a entidade participou de reuniões com representantes do Estado do Rio Grande do Sul e do Ministério da Agricultura. Embora o financiamento específico para desbastes não tenha sido tratado diretamente, busca-se algo semelhante junto ao governo.

Entendo que, mais do que nunca, as entidades representativas do setor madeireiro precisam unir esforços para dar continuidade a uma proposta que já foi aprovada, mas que não avançou, aparentemente por entraves burocráticos. Não se trata de defender financiamento a fundo perdido, mas sim um modelo de crédito que torne o manejo florestal economicamente viável. O resultado seria o fortalecimento da silvicultura e o desenvolvimento sustentável da indústria de madeira mecanicamente processada.

Mini bio – Manoel Francisco Moreira

Manoel Francisco Moreira é profissional com longa atuação na cadeia produtiva da madeira, com experiência em desenvolvimento setorial, políticas públicas e silvicultura. Foi Diretor Executivo da Agência de Desenvolvimento da Cadeia da Madeira do Médio Rio Tibagi e colunista do Portal Madeira Total, onde analisa temas estratégicos ligados ao manejo florestal, indústria e sustentabilidade.

Texto: Por Manoel Francisco Moreira

Imagem: divulgação

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