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Fundação Florestal realiza intercâmbio técnico na Califórnia (EUA) para a troca de experiências em inovação e combate a incêndios florestais
Empresas 06/11/2026

Fundação Florestal realiza intercâmbio técnico na Califórnia (EUA) para a troca de experiências em inovação e combate a incêndios florestais

Comitiva visita unidades operacionais do CAL FIRE, órgão de referência global que monitora mais de 500 mil ocorrências por ano na Califórnia, e participa de simpósio internacional na Universidade de Stanford


Com o objetivo de fortalecer a cooperação internacional e se manter modernizado no combate a incêndios florestais em São Paulo, a Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), realiza uma missão técnica na Califórnia (EUA) com visitas ao California Department of Forestry and Fire Protection (CAL FIRE), ao North Operations Center (NOPS), em Redding, e à Butte Unit (BTU), em Oroville. O intercâmbio com as autoridades norte-americanas foca na troca de experiências sobre inteligência artificial, inovação tecnológica, previsão do comportamento do fogo e estratégias de manejo integrado da vegetação.

O CAL FIRE opera o acompanhamento público de incidentes em tempo real e monitora, anualmente, mais de 500 mil chamados de emergência e cerca de 6 mil incêndios florestais e a visita tem como objetivo a troca de experiências. Já a visita ao North Operations Center (NOPS), em Redding, e à Butte Unit (BTU), em Oroville, é uma oportunidade para analisar modelos de gestão de crises e logística de resposta em cenários de alta complexidade. Outro marco relevante durante a missão é a participação da comitiva no Red Sky International Wildfire Convening, simpósio promovido na Universidade de Stanford que reúne especialistas e gestores públicos globais para discutir o uso de tecnologias emergentes no combate e na redução dos riscos de queimadas.

"O enfrentamento aos incêndios florestais exige soluções rápidas, integradas e apoiadas em ciência e tecnologia. A missão da Fundação Florestal na Califórnia e a participação na Universidade de Stanford nos coloca em diálogo direto com o que existe de mais avançado no mundo em inteligência artificial e gestão de riscos. Nosso objetivo é absorver essas experiências para fortalecer a tomada de decisão no campo e garantir ainda mais proteção à biodiversidade e às comunidades do Estado de São Paulo", destaca Rodrigo Levkovicz, diretor executivo da Fundação Florestal.

Inovação e IA aplicadas ao monitoramento

Durante as reuniões técnicas com o CAL FIRE, a troca de experiências abordará o uso prático de ferramentas analíticas e de inteligência artificial aplicadas à integração de dados de satélites, drones, estações meteorológicas e equipes de campo. O objetivo é conhecer modelos dinâmicos capazes de projetar a velocidade, direção e intensidade do fogo com base no relevo, umidade e carga de combustível.

A Fundação Florestal busca apresentar diante desse repertório internacional as iniciativas em andamento no Estado de São Paulo. O diálogo permitirá identificar boas práticas de interoperabilidade e validação de dados para subsidiar a tomada de decisão ágil do comando de incidentes no território paulista.

Manejo da vegetação e mitigação de riscos em áreas protegidas

A participação da Fundação Florestal também se atenta à prevenção e ao manejo sustentável do território. Especialistas da instituição paulista e técnicos internacionais vão mapear estratégias para reduzir a biomassa seca, combustível natural que alastra as chamas. O objetivo é aperfeiçoar a manutenção de aceiros e estruturar faixas estratégicas de proteção ambiental, adaptando metodologias californianas à legislação brasileira e às especificidades dos biomas do Estado de São Paulo.

O roteiro técnico também conta com expedições de campo a parques e reservas da Califórnia para analisar de perto a gestão de impacto do turismo ecológico e observar como o estado norte-americano protege a vegetação nativa nas chamadas zonas de interface, onde a natureza preservada encontra bairros e cidades.

Desafios e simetrias operacionais entre São Paulo e Califórnia

A aproximação técnica entre São Paulo e a Califórnia se apoia em paralelos geográficos e demográficos significativos entre dois grandes polos socioeconômicos do continente. Enquanto o Estado de São Paulo reúne 46,18 milhões de habitantes em uma extensão de 248.219 km², a Califórnia abriga 39,36 milhões de pessoas em um território de 423.970 km².

Em relação a maior área total do estado estadunidense, o sistema paulista administrado pela Fundação Florestal se destaca pela expressiva escala de conservação, onde são mais de 4.600 hectares distribuídos em 157 Unidades de Conservação dentro do sistema comparado, frente a aproximadamente 647.500 hectares gerenciados ao longo das 280 unidades do sistema de parques estaduais da Califórnia. A alta concentração populacional combinada a vastos territórios protegidos exige de ambas as gestões soluções operacionais robustas para conciliar o uso público e mitigar riscos de queimadas nas zonas de transição entre cidades e áreas nativas.

Gestão territorial e prevenção contínua em SP

A busca por tecnologias na Califórnia reflete o modelo de gestão preventiva adotado pela Fundação Florestal no Estado de São Paulo. Responsável pela administração de cerca de 5 milhões de hectares de vegetação nativa em 157 Unidades de Conservação, a instituição atua de forma contínua para evitar que os focos de incêndio ganhem proporções catastróficas durante os períodos de estiagem.

Para proteger os ecossistemas paulistas, a estrutura operacional conta com um efetivo de 555 profissionais, incluindo 243 brigadistas temporários contratados para reforçar o combate direto em campo no âmbito da Operação SP Sem Fogo, do Governo do Estado. Aliada à presença humana, a instituição emprega recursos de ponta, integrando inteligência artificial, monitoramento por satélites, drones termais e tecnologia LiDAR. O sistema permite o mapeamento prévio da biomassa seca e a detecção precoce de calor, fundamentais para o Manejo Integrado do Fogo (MIF).

"A Fundação Florestal investe continuamente na capacitação das equipes, na ampliação da infraestrutura e em ferramentas de monitoramento preventivo. Analisar de perto as metodologias do CAL FIRE para o manejo de combustível florestal e manutenção de aceiros traz um ganho técnico valioso. Queremos aperfeiçoar nossos protocolos operacionais e consolidar a instituição como referência no combate e no manejo de biomassa em áreas protegidas", afirma Adriano Candeias, diretor de proteção ambiental da Fundação Florestal.

Além de otimizar a tomada de decisão do comando de incidentes, o manejo preventivo, com a criação e manutenção de aceiros e vias internas, é decisivo para reduzir o material combustível e impedir a progressão das queimadas. O impacto dessas ações integradas garantiu uma redução expressiva no acumulado do ano: entre 1º de janeiro e 30 de setembro de 2026, a Fundação Florestal registrou 43 Boletins de Ocorrência de Incêndio Florestal (BOIs) nas Unidades de Conservação estaduais, representando uma queda acentuada frente aos 168 BOIs contabilizados no mesmo período de 2025.


Texto: Everton Souza


Imagem: divulgação

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